O tempo é ouro!... e por isso eu agradeço a todos, Amigos e Leitores, por dividirem o vosso aqui comigo. E acrescento um pensamento do meu Livro - O ouro é como o amor; mata quem o guarda e vivifica quem o dá. (Gibran Khalil Gibran)
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
Textos


"OS NÏZCAROS" - As Minhas 10 (Dez) Ilusões 


O livro "OS NÏZCAROS" de: Silvino Potêncio (Emigrante Transmontano em Natal/Brasil) é uma colectânea de 50 crônicas com textos alegóricos à Politica dos Governos Portugueses desde Abril de 1974 até aos dias de hoje... a título de prólogo em resumo eu conto nas últimas 3 paginas as minhas maiores (DEZ) ilusões de cidadão Português Emigrante:

Crônica numero 050 -
Parte I 
 
"Dez ilusão" número um:  por imposição social, para entrar no colégio, compraram-me um "bivaque" da cor escura, de um outono auspicioso de um inverno interminável, cujo destaque era um emblema de numero 1 (um) e nos ombros um "dolman" da mesma cor, ainda que um pouco mais suave, com botões em relevo das cinco quinas, que eu usava em conjunto com um "cinto muito" a propósito, e aonde tinha a letra "S" na fivela para me segurar as calças e não me deixar ver as partes mais intimas do meu ego, que era o de um ser apenas mais um lutador voluntário da pátria, um infante de apenas uns meros 11 anos de idade.
- Imaginei-me um soldadinho de chumbo e fui "chumbado" por falta de cabedais para ir além do segundo ano de matrícula no Liceu Nacional de Bragança. Penso que o "estado" podia ter-me ajudado em algo mais!...Porém, naquele tempo só os bafejados pela instrução primária sabiam ler e a preocupação maior não ia além da Quarta Classe. Por isso era necessário começar a trabalhar em alguma coisa. Eu fui guardar ovelhas e cabras até aos 13 anos de idade.

Crônica de numero 050 - Parte II  


"Dez ilusão" número dois: por Edital Nacional no início dos anso "60" em Portugal convocaram-se famílias do interior do país - e de preferência as mais analfabetas possíveis - para se fazer uma colonização cristã, socialmente católica e ordenada em terras de Além Mar, aonde se pretendia levar a civilização de forma ordeira e controlada pelo poder central. - Por força do destino eu e a minha familia chegámos atrasados ao "campo de concentração", imaginado às portas da Câmara Municipal de Alfândega da Fé,  como se as nossas vontades e desejos pudéssem ser cronometrados com hora e data marcados préviamente, a "bel-prazer" de quem nunca jamais teria a presupostamente qualquer mínima  responsabilidade de nos dar o pão para a boca,  ou a paz às nossas atribuladas mentes de necessitados no meio da  multidão de miseráveis campesinos  a arrastar arados e tremonzelas, charruas e outras farpelas, atrás de mais um grão de centeio para sublevar os meses de inverno, qual inferno de nossas existências terrenas.
- Melhor sorte tiveram os apenados, degredados pela justiça dos homens, que depois de condenados e em seguida embarcados para terras do fim do mundo eles seriam sempre e assim definitivamente escorraçados do  sistema;  Desses a maioria que sobrevivia após soltos dos grilhões em plena selva das colônias, dali não precisavam mais fugir porque já estavam em liberdade... Eu não fui degredado e sim apenas mais um Emigrante  e o Estado podia ter-me ajudado mais porque éramos pessoas de bem querer à pátria!
 
(Continua) 
 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 05/01/2019
Alterado em 13/05/2019
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