A cultura de um POVO não pode, não deve NUNCA, se submeter a ideologias politicas ou partidárias muito menos financeiras ou económicas pois que; inspiração ou intelecto não se compra nem se se vende! É como o amor, já vem do berço!... (Silvino Potêncio)
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Silvino Potêncio - Emigrante Transmontano em Natal
Escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado já distante!(SilvinoPotêncio)
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Do  barreiro ao cansa-burros,
Ainda é uma boa estirada;
Bem assada e com dois murros,
A batata era da horta da sarnada.
 
   No Musiado tinha neve,
    Que se tirava de lá com a pá,
    Os carros vinham ao de leve,
     E todos se atolavam por lá!
 
Nós os garotos daquele povo, 
Ali ficávamos  só ali d’espreita,
Púnhamos lá a neve de novo,
P’ro dono do carro nos dar a receita;
 
Quatro tostões ou ‘ua croa,
 Era p’ra quem desatolar da maleita,
  -- Pensei que a estrada era boa,
      Mas afinal, parece que foi mal feita!
 
 
Lá no lugar do “Musiado” situado na saída da Aldeia ,na estrada que vai para Bornes,  a estrada asfaltada tinha uma baixa na recta e que, sem neve não causava qualquer problema aos carros que por lá passavam, mas com neve a coisa era bem diferente.
- Eu me lembro que naquele tempo de inverno, e quando caía neve em abundância, os carros vindos de qualquer sentido, norte ou sul, mas principalmente os que vinham de baixo da Ladeira do Cansa-Burros, eles faziam a curva  que ocultava a baixa que tinha no asfalto, em frente ao campo da bola, e ali se atolavam na neve!
Isto acontecia porque, na entrada da recta o nível da berma da estrada enganava os condutores, que se orientavam pela copa das giestas da valeta, e... como era tudo em linha recta, eles aceleravam.
 - Quanto mais aceleravam maior era o mergulho na camada de neve acumulada durante a noite em cima do alcatrão! Mas já perto dos castanheiros que havia ali dos dois lados da estrada a baixa na estrada era mais funda e prontos,  alguns lá ficavam à espera que alguém fosse lá ajudar,  e a malta nova ia 
- Depois de os desatolarmos, e empurrar-lhes o carro para fora da zona de perigo, nós (geralmente só a malta nova ia lá ajudar) voltávamos lá, e  colocávamos a neve de novo no mesmo lugar, para que o próximo carro que viesse se enterrar lá de novo... e assim os condutores pudessem, ou tivessem que nos repetir a gorjeta por os termos ajudado a sair de lá.
(in: CURRIÇAS DE CARAVELAS – TROVAS COMENTADAS)

Nota do Autor ; estas lembranças remontam aos anos 50 e 60 do Século XX.

 
Silvino Potêncio
Enviado por Silvino Potêncio em 20/01/2017
Alterado em 13/11/2019
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